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A
NOVÍSSIMA ONDA BAIANA
Por
Jorge Alfredo Guimarães
jorgealfredo@globo.com.br
No
verão de 1993 aconteceu um fato muito significativo para
o cinema baiano; mesmo sentindo as fortes conseqüências
da interrupção da atividade cinematográfica
com o fechamento da Embrafilme, seis realizadores decidiram se
reunir na Ilha de Mar Grande para, juntos, criarem um roteiro
de uma longa metragem; Moisés Augusto, Fernando Bélens,
Edgard Navarro, Pola Ribeiro, José Araripe Jr. e Jorge
Alfredo. Foram dias intensos e de muita interatividade entre cabeças
de diferentes formações em torno de um ideal comum;
levar para a tela grande as nuances e matizes, trejeitos e esquisitices
dessa gente de ginga inconfundível dos becos e ruas de
pedras seculares do Pelourinho; ícone da tradição
cultural soteropolitana. Desse encontro surgiu o ainda inédito
“Via Pelô”, que no meu entender, desencadeou
o movimento de retomada do cinema baiano.
Infelizmente, nossos super egos e a falta de recursos não
permitiram que o filme fosse produzido, mas creio que a partir
desse encontro, todos nós, individualmente, mas sempre
com a colaboração afetiva e/ou profissional dos
outros cinco, intensificamos esse desejo com muita obstinação
e conseguimos juntamente com outros cineastas (Agnaldo Siri Azevedo,
José Umberto, Joel de Almeida, Tuna Espinheira, Sérgio
Machado, Umbelino Brasil, Lázaro Faria, Sofia Federico,
Edyala Yglesias, Lula Oliveira, Fábio Rocha, Bernard Attal,
Joselito Crispim, Caó Cruz Alves e Conceição
Senna) realizar nesses últimos anos 26 títulos em
35mm, fazendo com que a Bahia experimentasse um novo ciclo de
produção cinematográfica.
Foi
também nesse período que surgiu e se fortaleceu
na Bahia a ABCV (Associação Baiana de Cinema e Vídeo),
filiada a ABD (Associação Brasileira de Documentaristas)
primeira entidade associativa do cinema brasileiro que hoje agrega
associados de todas as regiões do país.
Ainda nesse ano de 1993 Fernando Belens rodou “Heteros,
a comédia”, estrelado por Patrício Bisso,
ator transformista argentino, com direção
de fotografia de Hélio Silva, um nome consagrado
do cinema novo. Foram meses de intensa excitação
e muito trabalho. Logo depois estávamos a caminho
do sertão de Canudos para rodar o episódio
“Confirmação”, uma produção
da ZDF com roteiro meu dirigido por Pola Ribeiro, tendo
Vito Diniz na direção de fotografia. E Joel
de Almeida rodava “Penitência”, outro
episódio de “Os 7 Sacramentos de Canudos”.
Também fiz a direção de fotografia
de “Troca De Cabeça”, de Sérgio
Machado, uma produção com a participação
de Grande Otelo, Mário Gusmão, Léa
Garcia, Diogo Lopes e Harildo Deda
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Patricio
Bisso em
Heteros - A Comédia,
filme de Fernando Bélens |

Jofre
Soares é o Mr. Abrakadabra!
filme de José Araripe Jr. |
Em julho de 94, José Araripe Jr. ganha o Prêmio
Resgate do Cinema Nacional do MinC com o roteiro “Mr.Abrakadabra!”.
Rodado em Cachoeira, esse filme foi um marco na produção
baiana em muitos sentidos; Trouxemos o mestre René
Persin para fotografar o filme em P&B, pela primeira vez
utilizamos o recurso do videoassist e efeitos especiais no
set, tendo como protagonista do filme o saudoso Jofre Soares.
Moisés Augusto (Truq), até então, produziu
todos esses projetos. A Bahia novamente respirava cinema.
A coisa engrenou e a gente não parou mais de produzir
filmes. Em 2001, conseguimos romper um jejum de 18 anos sem
produzir uma longa metragem e lançamos “3 Histórias
da Bahia”, um filme de episódios dirigido por
José Araripe Jr., Edyala Yglesias e Sérgio Machado.
Nesse mesmo ano, Sérgio Machado realiza o documentário
sobre Mário Peixoto “Onde A Terra Acaba”,
e eu lanço no Festival de Brasília o documentário
sobre o samba da Bahia ”Samba Riachão”.
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De
lá pra cá, o nosso cinema mantém uma
produção sempre crescente.
Em 2002, são produzidos os curtas “Catálogo
de Meninas”, de Caó Cruz Alves, “Lua Violada”,
de José Umberto e “No Coração de
Shirley”, de Edyala Yglesias.
Em
2003, “Hansen Bahia”, de Joel de Almeida, “Cega
Seca”, de Sofia Federico e “Corneteiro Lopes”
(Lázaro Faria).
Em,
2004, mais dois longa metragens; “Esses Moços”
, de José Araripe Jr., e “Cascalho”, de
Tuna Espinheira.
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Samba
Riachão |
Até
que em 2005 o cinema baiano chega a uma produção
surpreendente; quatro curtas e quatro longas. Solange Lima (Araçá
Azul) se firma como uma grande produtora, “Cidade Baixa”,
de Sérgio Machado, ganha o prêmio de melhor filme
do Festival do Rio, e no Festival de Brasília, “Eu
me Lembro”, de Edgard Navarro, ganha sete candangos e confirma
definitivamente que a terra de Walter da Silveira tem vocação
para o cinema!
Urge, agora, uma revisão crítica dessa produção;
Para 2006, estão sendo produzidos os longas “Pau
Brasil”, de Fernando Bélens, “Jardim das Folhas
Sagradas”, de Pola Ribeiro, “Estranhos”, de
Paulo Alcântara e “Revoada” de Zé Umberto.
O Prêmio Braskem de Cinema que já havia premiado
em 2004 “O Anjo Daltônico”, de Fábio
Rocha, em 2005 dá continuidade com “E Aí,
Irmão”, de Pedro Léo Martins; Joel de Almeida
vai rodar “Isto é Bom”; Nivalda Silva Costa
“A Incrível História de Seu Mané”;
Bernard Attal já começou a rodar um filme sobre
Santa Luzia e eu continuo na captação para rodar
“Avant Garde”.
Convoco
todos os críticos, produtores culturais e amantes da sétima
arte para avaliarem essa novíssima onda baiana - a retomada
do povo de cinema da Bahia.
“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor.”
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