E Aí, Irmão?  

 

JUSTIFICATIVA
 
 

O uso de substâncias psicoativas existe nas mais remotas civilizações com fins ritualísticos e como meio de ter acesso a um estado de consciência ampliado. Atualmente, com a mercantilização destas substâncias - o tráfico e todo o esquema que passou a existir para a sua auto-sustentabilidade e manutenção - as mesmas passaram a “drogas ilícitas” às quais representações sociais estigmatizantes ligadas, sobretudo à criminalidade, são fortemente atreladas. O que nos seus primórdios era utilizado como elemento pacificador e veículo para a transcendência ao sentido de totalidade da vida, passou a ser considerado fruto do caos e violência em que a sociedade está atualmente inserida.

As discussões atuais giram principalmente em torno da legalização da maconha ou da repressão ao tráfico, da forma mais eficaz de desmontar o que a sustenta viva e presente em todas as classes sociais. No entanto, as medidas repressivas esbarram num Estado paralelo muito bem organizado e num mercado consumidor forte.

“E AÍ, IRMÃO...” trata como tema central o problema do uso da maconha em nossa sociedade. Amparado em personagens jovens, em lugar de oferecer uma demonização do usuário, o roteiro busca uma poética específica de seu mundo. Numa visão íntima e comprometida com a realidade dos jovens retratados, sem que seja feita qualquer forma de julgamento moral, as suas vidas são mostradas abertamente, de forma que se tenha uma maior proximidade. O filme constitui-se, portanto, numa via de acesso aos jovens de diferentes classes sociais; aos seus costumes, forma de pensar, de agir e se relacionar com o mundo na sociedade contemporânea – os seus sonhos, o que os inquieta, o que os violenta.

 

Pôr a sociedade “frente a frente” com esse jovem problematizando seus comportamentos usuais e facilitando o entendimento entre as gerações, é o que o filme termina por fazer, de forma natural.

O roteiro aborda sem medo o uso da maconha, destituído de preconceitos com relação a: classes; gênero; e gerações. Tem uma visão realista com forte conotação sociológica, baseado na observação da vivência de amigos, conhecidos. Pretende assim retratar e reproduzir a realidade social com respeito ao uso da maconha.

A questão das drogas tem sido objeto de muitas discussões na mídia escrita, televisiva e cinematográfica, quase sempre associada à criminalidade, a desvios de caráter, à violência e à questão da legalização. No roteiro aqui apresentado, não há um julgamento maniqueísta ou moral, se busca uma abordagem inteiramente original, uma nova poética, nova dramaturgia, buscando uma linguagem cinematográfica que vai procurar traduzir os jovens através de seu próprio jeito de olhar, um olhar sem qualquer juízo de valor.