E Aí, Irmão?  

 

APRESENTAÇÃO
 
 

O Filme trata de um tema polêmico na sociedade contemporânea, o uso da cannabis sativa - conhecida popularmente como maconha - enfatizando o usuário propriamente dito, os traficantes que a utilizam com fins lucrativos, bem assim o entorno desta comercialização.

A partir de um recorte de dois dias na vida de algumas pessoas que vivem em diferentes contextos sociais, o filme se desdobra, em histórias paralelas, para contar a relação que cada personagem guarda, direta ou indiretamente, dentro do seu universo, com a maconha - em seu percurso, sua rota e consumo.

O filme tem como personagens principais: Xavier, Tião, Neto, Roger e Marcos.

Xavier é policial, pai de família e mora numa favela. Ele sofre coação do traficante maior do local, sendo forçado a trabalhar para ele. Está insatisfeito com esta situação, mas vive seu dilema sem querer envolver o resto da família. Ele tem seus princípios e tenta dar uma outra perspectiva de vida a seu filho (Urânio), mas acaba por descobrir o envolvimento do rapaz com o tráfico. Eles travam uma discussão e Xavier parte para a agressão física, durante a qual é surpreendido por Tião (o traficante em questão) que chega em sua casa subitamente, interrompe a conversa e o desmoraliza em frente de sua família.

 

Roger é um jovem músico. Ele toca numa banda e se envolveu momentaneamente com o tráfico, apenas com o intuito de comprar instrumentos musicais, assumindo o papel de revendedor. Agora ele se vê compelido a continuar, por um companheiro traficante, embora já tendo realizado seu intento e esteja querendo sair do esquema;
Neto, um jovem da classe alta que traz a droga para Tião e distribui para outros revendedores, Roger entre eles.
Marcos, um jovem de classe média, sonhador. Ele tem uma relação cuidadosa, mística, vê a maconha como coisa especial. Sua namorada é Ana, uma jovem da alta classe, que mora com o Pai (Paulo) um cara de mentalidade jovem e liberal. Numa noite, quando sai da casa de Ana para sua casa, Marcos é abordado agressiva e violentamente, sem razão, por uma viatura policial, onde se encontra Xavier.

Configura-se uma oposição clara entre dois grupos de personagens. Um grupo de sete estudantes de pré-vestibular, oriundos de diferentes classes sociais e que usam a droga em busca de sensações diferentes.
Do outro lado, o mundo do tráfico: Tião, o chefe traficante da favela; uma parte corrompida do aparelho policial, encarnada por Xavier; e o playboy de classe alta (Neto), que traz a maconha para Tião e faz o movimento da droga em bairros da cidade.

Dentro do universo proposto pelo filme entrelaçam-se outras personagens secundárias entre as quais, de forma orgânica, veremos potencializadas algumas situações conflitantes.

Com o filme, pretendemos ensejar a discussão de um tema palpitante, qual seja o da “ilegalidade” e a descriminalização da maconha, pondo em xeque a atitude oficial adotada pelas autoridades competentes. Obviamente, não se trata de uma apologia ao uso da maconha, mas sim de um alerta capaz de propiciar uma reflexão mais abrangente e aprofundada sobre o assunto. Seja: até que ponto é saudável manter a maconha como droga proibida por lei, já que ela está cada vez mais difundida e presente na sociedade como coisa comum, levando-se em conta que no meio do percurso existe muito derramamento de sangue, corrupções e outros males. Enquanto, ironicamente, do lado dos que consomem a droga, o que temos é música, poemas, filosofia.
.