Ocorrida
na madrugada de 7 para 8 de novembro de 1822, nos arredores
de Salvador, a Batalha de Pirajá foi decisiva para
a rendição das tropas portuguesas sitiadas
na cidade. Embora a independência do Brasil tivesse
sido decretada dois meses antes, a ordem de entrega do comando
da Bahia ao imperador Pedro I não fora reconhecida
pelo general português Madeira de Melo, que assumiu
o controle de Salvador. O filme vai mostrar a batalha da
artilharia com que os portugueses tentaram surpreender os
brasileiros e furar o cerco montado pela resistência
local, liderada pelo general francês Labatut.
Durante
essa batalha, o corneteiro português Luiz Lopes, que
integrava as tropas de Labatut, recebeu a ordem de tocar
uma "retirada", mas - até hoje não
se sabe por que - tocou a ordem de "avançar
cavalaria degolando". O toque assustou o exército
lusitano e mudou o desfecho do conflito. O palco de guerra
foi reproduzido cenograficamente nas proximidades de Arembepe.
"Reproduzimos com 35 figurantes uma situação
que envolveu 12 mil pessoas", disse Faria ao Folha.
O Exército
apoiou a produção, através da 6ª
Região Militar, que ofereceu ajuda em logística,
fardamento de época, armas e pessoal de figuração,
além de peritos em explosões. O especialista
em efeitos especiais Farjala, da TV Globo, foi convocado
para as filmagens. A trilha sonora está a cargo de
Bau Carvalho (guitarrista dos Lampirônicos), que vai
gravar uma versão moderna do Hino ao 2 de julho.
Mistério
histórico - O roteiro foi baseado numa entrevista
que o historiador Cid Teixeira concedeu ao diretor, também
autor do argumento. "Pesquisei em Portugal, na Torre
do Tombo e no Museu Ultramarino e não encontrei muita
informação sobre Lopes. Cid Teixeira foi a
pessoa que deu mais subsídios para o roteiro, inclusive
elementos imaginativos", diz Faria.
Como
o motivo histórico para Lopes ter desobedecido a
ordem de Labatut é desconhecido, o filme conta uma
versão romanceada, que inclui uma escrava por quem
ele estaria apaixonado. Segundo Faria, Luiz Lopes tinha
cerca de 40 anos e há 20 morava no Brasil, onde veio
tentar a sorte na carreira militar. "Ele não
tinha interesse em voltar a Portugal e se os portugueses
ganhassem a batalha, certamente seria enforcado como traidor.
Isso era motivo suficiente para chutar o pau da barraca",
interpreta o diretor. "O fato é que os toques
de ''retirada'' e ''avançar cavalaria degolando''
são totalmente diferentes. Não há a
possibilidade de ter sido engano", opina.
Faria
já dirigiu vídeos publicitários e institucionais
e estreou na ficção com O segredo do faraó
(1998). Também cuidou da produção e
da direção de fotografia do curta Lua violada,
de José Umberto Dias, produzido com o prêmio
da Secretaria de 2001.