Catálogo de Meninas

 

VAMPIROS NA BAHIA
 
Por João Carlos Sampaio (A Tarde 26-06-2002)
 

 
  Humor e nonsense para discutir um tema sério e delicado. Esta é a concepção do curta-metragem de animação Catálogo de Meninas, roteirizado e concebido pelo baiano Caó Cruz Alves. O filme foi um dos projetos vencedores do Prêmio Carlos Vasconcellos, do governo do Estado, no ano passado.

Após um ano e três meses de trabalho, a fita está pronta, com 13 minutos de duração. O resultado é uma metáfora do vampirismo, que se lança na tentativa de examinar os fatores sociais que propiciam o turismo sexual e a pedofilia.

A trama mostra uma garota de 14 anos, dividida entre os sonhos da adolescência e a realidade dura de uma vida esmagada pela extrema pobreza. Tentada pelo convite de trabalhar num cabaré, onde circulam turistas e muitos dólares, acaba trocando a escola noturna por esta possibilidade de ganhar dinheiro e sobreviver de forma “mais humana”.
 

Acaba carimbando o passaporte para uma “Transilvânia baiana”, um pequeno mundo povoado por vampiros estrangeiros, em trânsito, sedentos por prazeres proibidos.

O desenho animado utiliza recursos de animação em duas e três dimensões, com som Dolby Digital e finalização nos estúdios Mega Color, em São Paulo. A trilha sonora inclui participações musicais de Margareth Menezes, Peu Souza (da banda de rock Digaí Chefe) e do próprio Caó Cruz Aves com arranjos technos de Alan Verhine.

Os atores baianos Nilda Spencer, Gideon Rosa, Waldemar Nobre, Jorge Washington e Paloma Carvalho emprestam a voz aos personagens. A equipe responsável pelas diversas etapas do processo de animação executado por Caó conta com a participação de Laís Esteves, Patrícia Braga, Adriano Luís, Susan Marques.

O autor explica que a idéia do curta-metragem veio da vontade de discutir as razões sociais que alimentam a prostituição e, especificamente, o turismo sexual. “Catálogo de Meninas é fruto da observação de uma realidade latente e preocupante, não só na Bahia, mas em todo o Brasil”, afirma Caó Cruz Alves. “É um alerta à sociedade, porque enfoca e denuncia os problemas socioeconômicos que, aliados à violência e ao abuso sexual domésticos, alimentam a marginalidade e o turismo sexual”, complementa.

Cartunista e músico, Caó Cruz Alves teve seus primeiros desenhos publicados nos anos 70, em periódicos baianos. Desde então, tem colaborado em várias publicações e participado de exposições e salões de arte e humor pelo Brasil e exterior. Na atividade de animação, ingressou em 1997, com a realização de Coisinha, vencedor do prêmio de júri popular do Festival da Imagem em Movimento.

No ano seguinte, com Ouviram Alonzanfan, ganhou o primeiro lugar no V Festival da Imagem em Cinco Minutos. Com O Sapo (2000), foi premiado no II Festival Internacional de Humor, em Recife. Esse novo trabalho, Catálogo de Meninas, marca sua estréia em animação para cinema, no formato película de 35 mm.



PRÊMIOS

Catálogo de Meninas obteve Menção Honrosa no 25º Festival Guarnicê de Cinema do Maranhão 2002.

XXIX JORNADA DA BAHIA - 2002

 




 
 
 
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