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Humor e nonsense para discutir um tema sério e delicado.
Esta é a concepção do curta-metragem
de animação Catálogo de Meninas, roteirizado
e concebido pelo baiano Caó Cruz Alves. O filme foi
um dos projetos vencedores do Prêmio Carlos Vasconcellos,
do governo do Estado, no ano passado.
Após um ano e três meses de trabalho, a fita
está pronta, com 13 minutos de duração.
O resultado é uma metáfora do vampirismo, que
se lança na tentativa de examinar os fatores sociais
que propiciam o turismo sexual e a pedofilia.
A trama mostra uma garota de 14 anos, dividida entre os sonhos
da adolescência e a realidade dura de uma vida esmagada
pela extrema pobreza. Tentada pelo convite de trabalhar num
cabaré, onde circulam turistas e muitos dólares,
acaba trocando a escola noturna por esta possibilidade de
ganhar dinheiro e sobreviver de forma “mais humana”. |
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Acaba carimbando o passaporte para uma “Transilvânia
baiana”, um pequeno mundo povoado por vampiros estrangeiros,
em trânsito, sedentos por prazeres proibidos.
O desenho animado utiliza recursos de animação
em duas e três dimensões, com som Dolby Digital
e finalização nos estúdios Mega Color,
em São Paulo. A trilha sonora inclui participações
musicais de Margareth Menezes, Peu Souza (da banda de rock
Digaí Chefe) e do próprio Caó Cruz
Aves com arranjos technos de Alan Verhine.
Os atores baianos Nilda Spencer, Gideon Rosa, Waldemar Nobre,
Jorge Washington e Paloma Carvalho emprestam a voz aos personagens.
A equipe responsável pelas diversas etapas do processo
de animação executado por Caó conta
com a participação de Laís Esteves,
Patrícia Braga, Adriano Luís, Susan Marques.
O autor explica que a idéia do curta-metragem veio
da vontade de discutir as razões sociais que alimentam
a prostituição e, especificamente, o turismo
sexual. “Catálogo de Meninas é fruto
da observação de uma realidade latente e preocupante,
não só na Bahia, mas em todo o Brasil”,
afirma Caó Cruz Alves. “É um alerta
à sociedade, porque enfoca e denuncia os problemas
socioeconômicos que, aliados à violência
e ao abuso sexual domésticos, alimentam a marginalidade
e o turismo sexual”, complementa.
Cartunista e músico, Caó Cruz Alves teve seus
primeiros desenhos publicados nos anos 70, em periódicos
baianos. Desde então, tem colaborado em várias
publicações e participado de exposições
e salões de arte e humor pelo Brasil e exterior.
Na atividade de animação, ingressou em 1997,
com a realização de Coisinha, vencedor do
prêmio de júri popular do Festival da Imagem
em Movimento.
No ano seguinte, com Ouviram Alonzanfan, ganhou o primeiro
lugar no V Festival da Imagem em Cinco Minutos. Com O Sapo
(2000), foi premiado no II Festival Internacional de Humor,
em Recife. Esse novo trabalho, Catálogo de Meninas,
marca sua estréia em animação para
cinema, no formato película de 35 mm.
PRÊMIOS
Catálogo
de Meninas obteve Menção Honrosa no 25º
Festival Guarnicê de Cinema do Maranhão 2002.
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