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Notícias 10 - nov -2005
Festival Pan-Africano divulga sétima arte De 16 a 20 de novembro , o V Festival de Cinema Pan Africano
movimentará diversos pontos da periferia de Salvador, através
de mostras itinerantes de vídeos e filmes, em locais como Espaço
Cultural dos Alagados, Estação de Trem da Calçada,
Escada, Nordeste de Amaralina, dentre outros. A proposta do festival
é divulgar o cinema da diáspora africana entre as comunidades
periféricas, formadas principalmente por afro-descendentes, expondo
uma imagem diferente daquela mostrada pela grande mídia. De acordo com Fróes, a escolha do foco temático pretende discutir o estabelecimento de um plano estratégico de inclusão social que busque não só a representação do povo brasileiro e das suas camadas excluídas, mas também sua participação na produção, distribuição e exibição desta imagem. "Estamos propondo essa inclusão através da seleção de uma filmografia que não está presente no circuito comercial", esclarece. As fitas inscritas concorrem ao Prêmio Milton Santos, no valor
de R$ 2 mil, oferecido pela Secretaria Municipal da Reparação
da Prefeitura de Salvador. O vencedor será escolhido através
de júri popular, durante a Mostra Competitiva realizada entre
17 e 19 de novembro, no Teatro Sesc-Senac (Pelourinho), em sessões
às 13h, 15h e 17h (dias 17 e 18) e 15h e 17h (dia19). Um extrato
do festival, com destaque para o trabalho premiado, será exibido
no Festival de Angola, em março de 2006, e durante o New York
African Film Festival, em abril do mesmo ano.
Além das mostras cinematográficas, o festival vai oferecer oficinas de formação nas áreas de fotografia básica, grafite e formatação de projetos audiovisuais, uma maneira de dar acesso à linguagem audiovisual aos jovens, em especial à população afro-descendente de Salvador. As oficinas acontecem no dia 19, no Sofia Centro de Estudos na Calçada (fotografia), no Lar Joana Angélica em Valéria (grafite) e no Centro de Estudos das Populações Afro-Índio Asiáticas no Largo do Carmo (formatação de projetos audiovisuais). As oficinas serão ministradas pela fotógrafa Nanna Possa, pelo vice-presidente do Fórum dos Festivais Antônio Leal e pelo grafiteiro Denis Sena. As inscrições serão realizadas na data e no local das aulas. O V Festival de Cinema Pan Africano conta com o patrocínio dos
Correios e apoio das seguintes instituições: Cama, Camapet,
CBTU, Centro de Estudos das Populações Afro-Índio
Asiáticas (CEPAIA), Centro de Referência Integral do Adolescente
(CRIA), Espaço Cultural dos Alagados, Grupo Cultural Bagunçaço,
Kabum, Projeto Ver de Trem, Secretaria Municipal da Reparação
- SEMUR, Sofia Centro de Estudos, Studio Brasil, Teatro SESC-SENAC Pelourinho,
Terreiro do Cobre. Pré-lançamento na Calçada une cinema e passeio de trem A abertura oficial do V Festival de Cinema Pan Africano acontece no dia 16, mas já no dia 13 uma atividade preliminar altera a rotina do domingo na Estação de Trem da Calçada. A partir das 10h, um café da manhã será servido à comunidade que vai assistir, em seguida, à exibição do curta-metragem "Maniçoba" (2004), de Paulo Hermida. O documentário - premiado no X Festival de Cinema Universitário do Rio e no III Cine Capão, ambos em 2005 -, fala sobre miscigenação e resistência do negro, índio e caboclo, traçando um paralelo entre essas questões e a rusticidade da folha da mandioca, que vem servindo à sobrevivência desses brasileiros. A manhã promete ainda apresentação teatral com os atores Vinício de Oliveira Oliveira, Camilo Fróes, Nildo Ferreira e Roquildes Júnior que vão realizar uma performance construída a partir de uma ligação entre trem e cinema. O grupo utiliza a metáfora das janelas do trem como fotogramas de um filme: "A idéia é mostrar que uma viagem de trem pode também contar uma estória, só que uma estória real", definem. Em seguida, às 11h30, entra em cena o Projeto Ver de Trem, que
luta pela reativação e recuperação do transporte
ferroviário no Brasil e tem como objetivo chamar atenção
para as suas dimensões social, econômica e ecológica.
Dentro do projeto, a atividade "Música no Trem" promove
um passeio, saindo da Calçada em direção ao Subúrbio
Ferroviário, realizado ao som de muito samba. O ingresso custa
R$12,00 (valor único). Festival promove acesso aos bens culturais Desde 1999, o Festival de Cinema Pan Africano é realizado em Salvador, cidade ideal para sediar o evento devido à forte influência africana em sua formação histórica, étnica e cultural. Mesmo sendo considerada a capital negra do Brasil, Salvador expressa, em suas estatísticas sócio-econômicas, a falta de uma política pública eficiente para o acesso desta população aos bens econômicos e, conseqüentemente, aos bens culturais.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a probabilidade de um branco ascender na profissão é 120% maior do que as chances de um negro. Dados da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Salvador demonstram que no Estado da Bahia, entre 1966 e 1999 os jornais da capital notificaram mais de 4 mil assassinatos. As vítimas, em sua maioria, eram homens negros, com idade entre 15 e 35 anos, trabalhadores sem antecedentes criminais e moradores de bairros pobres. Já o IBGE demonstra que enquanto os brancos têm uma renda média de 5,4 salários mínimos, os afro-descendentes ficam com 1,67 salários. Na esfera da educação, 2,6% dos brancos maiores de 15 são analfabetos contra 9% dos afro-descendentes na mesma faixa-etária. Os dados indicam a ausência de políticas públicas eficazes para esta parcela da população, além de expressarem a exclusão social nos meios de comunicação, no acesso aos bens culturais e, principalmente, na produção destes bens. As ações do Festival de Cinema Pan Africano buscam esta inclusão ao chamar a atenção da sociedade para esta situação e ao criar condições para que esta população possa se reconhecer nas telas. "Pretendemos ocupar um pequeno espaço, até então vazio de imagens que refletissem a cultura de um povo, mas que também possibilitasse uma reflexão sobre sua cultura e sua possibilidade de acesso à informação", reflete Fátima Fróes.
Dia 11/11 (sexta-feira)
Dia 13/11 (domingo) - Terreiro do Cobre (programação associada) – debate e exibição de filme no Barracão do Terreiro do Cobre (Engenho Velho da Federação), a partir das 16h. Debate "Imagens do Candomblé na Mídia", com Mãe Valnízia de Aiyrá (Iyalorixá do Terreiro do Cobre), Jaime Sodré (Tata Xicarangoma do Terreiro Tanuri Junsara e Oloyê do Terreiro do Bogum), Cleidiana Ramos (jornalista) e Fátima Fróes (coordenadora do Festival de Cinema Pan Africano). Exibição de "Cidades das Mulheres", de Lázaro Farias. Dia 16 (quarta-feira) Dia 17/11 (quinta-feira) - Exibição dos vídeos "O Moleque" e "O Rito de Ismael Ivo", ambos de Ari Cândido, na sede do Grupo Cultural Bagunçaço (Uruguai), às 19h. Após a mostra, cineasta e platéia discutem os filmes. Dia 18/11 (sexta-feira) Dia 19/11 (sábado) - Exibição de vídeos na Kabum! Escola Telemar de Arte e Tecnologia (Nordeste de Amaralina), às 16h. - Exibição de vídeos no Forte Santa Maria (Barra) – horário ainda não definido. Dia 20/11 (domingo) - Festa de encerramento e premiação – programação em definição. Mostra competitiva Teatro Sesc-Senac (Pelourinho), dias 17 e 18/11, às 13h, 15h
e 17h e dia 19/11 às 15h e 17h. Contatos: - Fátima Fróes, diretora do festival – 9983-2202 / 3336-2779 - Vanessa Salles, coordenação de produção – 8843-4420 - Gilson Vieira e Marivaldo Neves, Projeto Ver de Trem – 3492-1489 - Daniela Abreu, CRIA – 3321-3041 - Lázaro Faria, diretor de "Cidade das Mulheres" – 3336.0669 / 3322.1279 - Sofia Federico: diretora de "Caçadores de Sacis"
– 9972-1062 Assessoria de imprensa: Fernanda Macedo – (71) 8822-5441 / 3231-2162
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