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Instituída durante a Jornada de Curta-Metragens de 1973 (antiga Jornada de Cinema da Bahia) a ABD (Associação Brasileira de Documentaristas) é a primeira entidade associativa do cinema brasileiro e hoje agrega associados de todas as regiões do país, representados por 21 afiliadas.

"No regime militar, quando foi fundada, a entidade fez-se trincheira dos que defendiam a democratização do país e queriam documentar aspectos da realidade política e social brasileira. A maior conquista desta geração foi a Lei do Curta (exibição de um curta brasileiro antes de cada longa estrangeiro), aprovada em 1979."

'Jean-Claude Bernardet, um dos fundadores da ABD, lembra o nascimento da entidade, na Jornada da Bahia: "tudo aconteceu no dia da queda de Allende (11/09/1973), no Chile. Todos nós estávamos atônitos e queríamos nos manifestar. Mas como? A solução foi fundar rapidamente associação que estivesse filiada à AID (Associação Internacional dos Documentaristas). Através da AID conseguiríamos comunicação internacional. Os contatos foram feitos por Iberê Cavalcanti, que era ligado à ADI e estava na Jornada".

E por que a entidade nasceu para agrupar os documentaristas e não os curta-metragistas? Jean-Claude responde: "a criação da ABD deu-se antes dos anos 80, isto é, antes do boom do curta, que passou a ser em grande parte ficcional. Na época, os jovens que começavam a fazer ficção produziam em Super-8. A importância que se dava ao documentário, naquele período, era enorme. O curso de cinema da UnB pensava documentário, não ficção. No início, as atividades de produção na USP eram pensadas como documentário. O enorme interesse pelo documentário só viria a arrefecer posteriormente. E este boom que estamos vivendo é recentemente".

Guido Araújo, que ajudou a criar a ADB na Jornada Nordestina de Cinema, lembra que a entidade foi fundada por "cineastas consagrados, críticos, professores, estudantes universitários, jovens cineastas e muitos cineclubistas". É impossível - postula - pensar a ABD sem o apoio dos cineclubistas e de intelectuais e professores (como Paulo Emílio Salles Gomes, Cosme Alves Neto e o próprio Bernardet). Muitos cineclubistas, inclusive Marco Aurélio Marcondes, ajudaram a difundir os documentários que se multiplicavam em várias regiões do país." '

Por Maria do Rosário Caetano
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Em mais de 30 anos de lutas e importantes conquistas, a ABD sempre atuou como um dos principais interlocutores da classe para negociações com governos federal, estadual e municipal.